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Mudança na indústria de comunicação, saiba como entende-la

 Site reúne mais de 300 horas de entrevista em português e inglês sobre o processo de comunicação
Fonte: Pixabay
Em 2013, o Grupo RBS se propôs a investigar sobre o futuro da indústria da comunicação e os reflexos dessas mudanças em quem consomem, produz e distribui informação. Durante dez meses eles ouviram pessoas de diferentes cargos e opiniões e chegaram a 11 premissas que servem de base para que possamos criar a nossa própria conclusão sobre o tema.

A primeira premissa é que graças à internet, atualmente, não temos mais um muro entre consumidores e empresas jornalísticas, além disso, a rede permite que as pessoas adquiram conhecimentos para pensa-la de forma crítica. Devido a isso, Herodoto Barbero da Record News, explica que por questão de sobrevivência as empresas estão se tornando mais éticas e transparentes. 

Mesmo em negócios tidos como falso, como a publicidade, a verdade e autenticidade têm se tornado essencial para encantar e fidelizar os seus leitores. Se pegarmos os maiores fenômenos publicitários notaremos que a sua premissa é o eu acredito, confio no produto que estou vendendo, pois no negócio da comunicação ser acreditável é o que sustenta a empresa.

Dessa forma, entramos em outra premissa, a credibilidade da informação passada. Como defendido pela jornalista Sonia Bridi da TV Globo, jornalismo sem credibilidade não é jornalista, pois as pessoas devem receber todos os pontos de vista possíveis sobre um fato, com diversas versões verificadas diversas vezes. 

Interatividade e desconstrução da verdade
Vivemos em uma cultura da participação que rejeita qualquer tipo de caixa. Dessa forma, para produzirmos algo noticioso e interessante é necessário interagir e compartilhar sobre diversos conteúdos, não apenas o que damos como certo ou que julgamos que irá interessar a nossa audiência, pois podemos estar errado.

Um exemplo disso é o interesse dos jovens americanos por notícias mundiais, como aponta Shane Smith, CEO do site VICE. Segundo ele, apesar do que as pessoas pensam os jovens americanos se interessam, e muito, pelo o que está acontecendo no mundo, pois percebem que a internet os conectou e sabem que o que é discutido na moda, culinária, politica não é exclusivo ao meio que estão e acham isso fascinante.
  
É necessário que não criemos polos de informação, mas produzir uma cultura de diálogo e da criação coletiva em diferentes plataformas. No mundo globalizado e interligado atual a verdade é multifacetada e permite diversas interpretações e narrativas.

Dessa forma, é preciso saber contextualizar as notícias de forma a não construí-la sobre uma verdade absoluta. É imprescindível trabalhar com a ideia de que podemos aprender e reaprender, pois como comenta Ronaldo Lemos, advogado e diretor do Creative Commons (leia mais sobre a empresa), não existe mais um fim, mas conceitos provisórios que agora fazem sentido, mas amanhã poderá não fazer.

Infinito de possibilidades
A internet nos mostrou um mundo de possibilidades, quando tirou a necessidade de estar no mesmo espaço e tempo pra se comunicar com alguém. Os novos comunicadores devem abraçar essas oportunidades, mesmo que pareçam improváveis, de formatos e configurações.

Segundo MarcosFacó, diretor de comunicação e publicidade da Fundação Getúlio Vargas (assista ao vídeo institucional), o mobile é o novo paradigma, sendo que ele se transformou em uma parte do corpo das pessoas, sendo que a primeira e a última coisa que uma pessoa faz é visualizar o celular. Dessa forma, é preciso que os comunicadores também se valham desses recursos, que são tão familiares ao público, para produzir as notícias.    

Outra configuração que é de relevância para os produtores de informação são as versões beta, pois elas subvertem a lógica industrial e ajudam consumidores a satisfazer o desejo de interagir com quem produz. Essa configuração também permite que a própria empresa se autocritique e se abra para mudanças.

Abandonar barreiras e se apaixonar por isso
Para produzir conteúdo relevante é preciso sair da sua zona de conforto e do senso comum, aprendendo com os erros e com os acertos. Experimentar e inovar são investimentos, para que no que futuro o seu material seja lembrando como algo diferenciado em uma multidão de mesmice.

Além disso, deve se levar em conta propósitos nobres que visem melhorar a qualidade de vida das pessoas, pois apesar das empresas quererem vender notícias, essa não à única razão de ela existir. A transparência, responsabilidade social criam um círculo de confiança que também pode ser muito eficaz para os negócios.

Gestão, intuição e percepção
A era digital fragmentou o mercado de trabalho e com isso é preciso que esses novos trabalhadores construam alianças fortes e operem de forma coletiva, mesmo a distância. Para ter uma boa gestão é necessário que os colaboradores tenham um comprometimento coletivo, de forma a sempre buscar qualidade nos produtos que são oferecidos.

Outra premissa necessária para ter uma boa produção é um olhar atento que siga mais do que os fatos, que acredite na intuição, naquele faro jornalístico. Esse sentimento revela, antecipa, prediz algo, deve se assim apurar aquela pulga atrás da orelha e indo atrás de fatos que a comprovem.

Além disso, é preciso que você saiba como a sua informação é percebida, pois como aponta Gilberto Dimenstein, coordenador do site Catraca Livre (curta a página), as notícias são divididas em duas categorias, as que te dão prazer e as que são úteis. Uma trabalha com a sobrevivência diária e outra com a sobrevivência da alma, dessa forma, é preciso que você pense porque a informação que eu ofereço é necessária?

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